Noite Estrelada 3

– Eu amei o quadro.

– Eu sei disso. Ele é lindo.

-Olha as cores. Eu amo tudo que tem cor, mesmo quando não tem cor sabe? – ela disse com certeza de adolecência. Em frente ao quadro, a cabeça caída para a direita, uma mão brincando com uma mecha de cabelo. – Não que essa seja o caso, aqui tem tanta cor. – ela disse abrindo as mãos em direção ao quadro fazendo um referência a ele. – Eu amo mesmo é o vermelho. Aqui não tem. Uma pena, porque vermelho é tão… Tem vida.

Ele sabia disso, pois já tinha reparado na vivacidade dos lábios vermelhos de batom dela.

– Van Gogh foi tão incrível. Olha as pinceladas. A noite estrelada – disse ela, mexendo no colar que enfeitava tão bem o pescoço. Me emociona – completou.

– É… – respondeu ele. Estava ofegante, frio na barriga

– Olha…

-Obrigada por ter me trazido aqui. É tão impressionante ver como a dor dele é constante e… Sei lá… Contundente.

– Eu te amo – pensou ele

– Eu te adoro– disse ela com um olhar de satisfação, não de amor. Isso traduzia a quem era. Bela, irônica e volúvel. Amizade antes do amor, mas misturando tudo quando lhe dava na telha. Tudo o que ele evitava, com certa razão.

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