Noite Estrelada 2

Theo era o único que agüentava Vincent, que suportava a afoiteza, a obsessão. Ele via no irmão algo que inspira a um amor que poucos têm. Talvez fosse a irmandade na infância, talvez a amizade que permaneceu durante anos, mas o que interessa é que Theo amava Vincent. O sustentava, lhe encorajava e o tirava da solidão.
A vida dos dois pode até ter se misturado em algum ponto. Com a morte do irmão, foi Theo quem ficou obcecado em vender os quadros do irmão, validando os esforços de Vincent em fazer a cruzada das pinturas; esse esforço lhe esgotou e lhe tirou qualquer sentido que sua vida poderia ter. Theo morreu logo depois da morte do irmão, talvez exatamente por isso, talvez por algum outro motivo obscuro e eternamente secreto.
Vincent, materialmente, é quem precisava do irmão. Mas talvez, na verdade, fosse Theo quem precisasse de Vincent, como numas dessas péssimas ironias da vida em que somos submetidos a algo que de início já fomos superiores.

Theo Van Gogh

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