Como sobreviver na mente de um autor

Michael tinha cinco amigos. No fundo ele os menosprezava, pois era de sua natureza ser insurgente, não adaptado, desacretidado e infeliz; seus amigos eram o contrario. Ele não poderia respeitá-los sem também os condenar.

O motivo para Michael acreditar ser personagem de um livro é que para alguém com tal temperamento, ele se considerava sem uma paixão que queimava, que o impulsionava além de seu controle. Acreditava-se vazio; mal escrito.

E para não se deixar nas mãos de quem o escrevia, decidira fazer o que nunca faria, ao contrário do que o autor poderia ter planejado.

Foi isso que sugeriu aos amigos. Não os queria convencer, mas convenceu. Um a um não eram mais quem eram antes: agora eram um bom amigo, uma mulher cruel, uma eterna errante, uma suicida, um apaixonado.

Ao passo que eles haviam se tornado instáveis, Michael fez o oposto; amadureceu, deixou a presunção de lado, amou, deu valor, sofreu e quase enlouqueceu – pensava demais. Mas sabia que nenhum deles fora escrito assim.

Ele seria punido. Por forças maiores que as suas como mero personagem, disfarçadas pelo turbilhão da vida. Um Deus não suporta uma revolta que Ele não tenha planejado.

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