Como sobreviver na mente de um autor 5

Caroline era covarde, doce e sonhadora. Michael sempre se perguntava como alguém assim havia tido a coragem de se mudar para um país diferente, sem um conhecido ou emprego a sua espera. Mas Paris combinava com Caroline; pelo menos a parte boa.
Ela um dia disse a Michael: “Você já fumou maconha?”.
Ele disse que sim. Disse também que se ela tinha a curiosidade de fumar, que fumasse. Ela o fez. Mas ela não experimentou só isso. Entre saídas, bebidas, drogas permissivas, experimentou a vida. Ela se divertiu, aproveitou um sexo melhor, deu muita risada em fila de boate.
A vida, no entanto, é capciosa, e Caroline foi enganada. Surgiram brigas, traições, problemas, vícios em certas coisas. Assim, ela fugiu por vários meses, sem dar pistas, talvez somente para sua família na Inglaterra, largando emprego, apartamento roupas charmosas para trás. Quando a encontraram, ela aceitou ir para uma clínica de repouso.
Um dia, Michael decidiu a visitar. A essa altura ele mesmo já estava cheio de problemas, de forma que de modo seco perguntou a ela o porquê.:
“Quando eu era pequena, Michael, eu via os garotos legais na escola e os odiava com toda a força que eu tenho. Eu sempre quis viver, no sentido literal da palavra, mas nunca consegui. Por algum motivo continuava sendo eu… Eu não sou charmosa nem mágica como queria ser. Sou monótona. Queria ser como os garotos legais… Existe algo mais triste do que isso?”
Michael sabia que não. Ele foi embora e a garota insegura o observou ir, com o olhar vazio, que se perdia pela vista da janela.

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