Como sobreviver na mente de um autor 1

Michael um dia se deu conta de que, provavelmente sim, estava na cabeça de um autor. Não que isso fosse uma das coisas mais sãs de se dar conta ou mesmo aceitáveis por todos. Só acreditava muito fortemente que era produto da mente de alguém, que cruelmente lidava com a sua vida e com a de todos aqueles que conhecia como marionetes numa peça de mal gosto.  Por quê? Inicialmente, pelo motivo de que não havia razão da situação ser o contrário.  Por que não seria ele um personagem, a criação de alguém? Por que seus passos seriam seus passos e por que o controle remoto estaria nas mãos dele próprio? Ele nunca vira recibo desse controle e pensamentos às vezes brotavam com tanta facilidade que não poderiam todos vir da cabeça dele. Ser criação de alguém aliás, nem tão ridícula parece ser para muitos. Coisa de gente beata…. Além disso, Michael pensava: nada melhor do que ter alguém superior ou mesmo inatingível para condenar caso as coisas não andem tão bem.

Porém, o que um dia começou como um simples pensamento se alastrou como uma obsessão. Michael há muito se sentia vazio e começou a pensar se o motivo de ser um tanto falso, estereotipado ao extremo e pouco original, não era algo premeditado por outra pessoa.. Afinal, por que gostava do que gostava, por que se interessava por coisas que no fundo não o deixavam tão mais feliz assim, por que era cínico e critico sem motivo… Questionamentos que Michael formulava, mas que respondia com a simples teoria: sou um personagem na mente de um autor, sendo feito do modo que ele me prefere. Idéia escapista sim; mas que agradava a mente ansiosa e confusa do nosso personagem.

Michael era um jovem inglês que há alguns anos fora morar em Paris. Por falta de ironia maior era, ele mesmo, um escritor, tendo uma vida romântica num local romântico. Mais fatores que validavam o que acreditava. Era cínico, critico e, além disso, um tanto fanfarrão, mas era interessante de se conhecer. Não que agradasse a todos, o que não fazia, mas ainda assim era interessante. Michael gostava de dormir ao som da chuva, de devanear olhando para o nada, de ouvir o som de madeira rangendo, de sentit papel amassando, e, o que o mais deixava desanimado, de escrever, pois agora, com a sua mais recém formulada teoria, ele se via na situação hipócrita de ser um dos manipuladores de marionetes, que cruelmente põe obstáculos sobre seus personagens ao seu bel prazer.


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